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ABICALÇADOS DIVULGA ANÁLISE DO SETOR CALÇADISTA BRASILEIRO EM 2020 E PROJEÇÕES PARA 2021

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), divulgou recentemente o balanço setorial relativo a 2020 e as projeções do setor para o ano de 2021.

Figurando entre os quatro maiores produtores calçadistas mundiais – atrás de China, Índia e Vietnã, respectivamente -, o Brasil fabricou, até o mês de novembro, 654,1 milhões de pares de calçados, cerca de 200 milhões a menos que o mesmo período em 2019 (23,4%). Os dados de dezembro ainda não estão fechados, mas a estimativa da Abicalçados é que o ano de 2020 feche com uma produção de 710 milhões pares, uma “ré” de 16 anos (em 2004, a produção foi de 721 milhões de pares). Entre os meses de março e junho, foram fechados 60,1 mil postos de trabalho no setor, que a partir do reaquecimento econômico voltou a contratar; ao final, entre janeiro e novembro de 2020, o saldo ficou negativo em 13.415 postos.

O fator determinante para esta queda foi mesmo a pandemia, afirmou Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados. Já os principais países concorrentes tiveram uma queda produtiva menor: a Índia registrou 22,6%; a China 14,2%; e o Vietnã apenas 3,2%.

O comércio exterior em 2020, pelo mesmo motivo, não teve boa performance: foram 94 milhões de pares de calçados exportados, 18,6% a menos em comparação a 2019, mesmo patamar de 1983, ou seja, 37 anos atrás. Em valores, a redução foi de 32,3 % em relação a 2019 (US$ 313,7 milhões que não entraram em caixa). Os estados brasileiros que mais exportaram calçados em 2020 foram Rio Grande do Sul, Ceará, São Paulo e Paraíba, responsáveis por cerca de 85% do total.

Já os principais destinos dos calçados brasileiros no ano passado, em números de pares, foram EUA (9,3 milhões); Argentina (7,7 milhões); França (7,1 milhões); Paraguai (9,9 milhões); e Colômbia (8,3 milhões). Em valores, cada um desses países importou, respectivamente: US$ 137,8 milhões (EUA); US$ 72,6 milhões (Argentina); US$ 59,2 milhões (França); US$ 26,2 milhões (Paraguai); e US$ 26 milhões (Colômbia).

No caso da Argentina, a redução nas importações de calçados brasileiros ano passado se deu por seus próprios problemas político-econômicos internos, bem como o aumento das licenças não automáticas de importação direcionado ao Brasil. No caso da França, houve o oposto, devido a um fato curioso: as exportações de calçados brasileiros àquele país aumentaram em 2020 graças à Vert (Veja), que fabrica seus tênis todos aqui no Brasil – com mão de obra e insumos brasileiros, auditados e certificados -, e exporta grande parte ao país europeu.

Vert Shoes / Divulgação

DIRECIONAMENTOS EM 2021

Entre os principais pontos mirados pela Abicalçados em 2021 para ajudar ao setor calçadista brasileiro estão, além pressionar o governo pelas reformas tributárias e administrativa, para que se tenha condições mínimas de planejamento e produção no país, o reforço ao o antidumping (especialmente de calçados vindos do Vietnã e Indonésia); participação em feiras e eventos do setor em formato híbrido (presencial e digital) e em plataformas de exportação B2B (fizeram parceria com a JOOR, que atua em âmbito global); trazer mais empresas ao programa Origem Sustentável (certificação de calçadistas em práticas sustentáveis na produção, mão-de-obra, matéria-prima, processos, sociedade e meio ambiente); e a ampliação do comércio internacional junto aos Estados Unidos. “Se conseguíssemos 1% do mercado norte-americano, não teríamos fábricas suficientes no Brasil para dar conta da produção”, comenta Haroldo Ferreira.

Também para este ano, a Abicalçados projeta uma produção de 810 milhões de pares e exportações 14,9% acima das de 2020, salientando que toda a análise se baseia num cenário com a vacinação contra a Covid-19 sendo feita e com o comércio físico e online operando em sua capacidade total.

Ainda de acordo com Haroldo, as margens de lucro às calçadistas estarão mais comprimidas em 2021, já que houve um aumento médio de 10% nos custos produtivos, especialmente em relação às matérias-primas, e com o alto nível de desemprego e sem auxílio emergencial, o repasse ao consumidor final precisa ser muito cuidadoso.

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