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Especial ONDAS DE LUXO
Moda praia voltada ao mercado de luxo cresce cada vez mais e impulsiona grifes brasileiras ao exterior.
Por Silvia Boriello
"É uma mudança dos hábitos do consumo; todos querem acessar o que é especial", explica Carlos Ferreirinha, consultor do mercado de luxo e diretor da MCF Consultoria, sobre as nuances do consumidor brasileiro e também sobre o porquê de grifes nacionais investirem numa linha Premium ou até mesmo mudar a imagem de sua marca para um produto exclusivo. "O crescimento do luxo no mundo fez com que o movimento da "premiumnização" ganhasse força, e os brasileiros estão inseridos no contexto global de consumo", diz. Ferreirinha conta que o Brasil sempre teve "luxo", assim como este existiu em qualquer parte do mundo; considerando esse mercado como atividade de negócios, é um exercício que começou há aproximadamente 30 anos. "Aqui esse mercado não completou 20 anos, mas muitos fatores têm exercido incrementos de possibilidades de crescimento, como a profissionalização da atividade e do segmento; elaboração de estratégias de mercado; democratização do acesso; crescimento dos mercados internacionais e da classe média; enriquecimento da população; e novos momentos de mercado com estratégias emocionais para envolver o público". Para o consultor, esse movimento tem impactado em todos os produtos e serviços, e a moda praia tem seguido e acompanhado esse momento "especial, diferenciado e, acima de tudo, fundamental", declara Ferreirinha. A história da estilista Adriana Degreas ilustra bem essas alterações de mercado. "Estou nesse ramo há 10 anos. Na verdade, no início o foco não era fazer moda praia de luxo, e sim criar algo diferenciado do que eu estava acostumada a ver e a trabalhar", diz. Adriana começou a conhecer o segmento de moda praia por acaso, quando se casou com um empresário desse setor e, com isso, embora formada em desenho industrial pela Faap, foi trabalhar com seu sogro. "Foi ele quem me ensinou todas as etapas, desde o desenvolvimento, a fabricação e a venda. Com seu falecimento, saí da Beira Mar juntamente com meu marido e montamos, do zero, uma nova empresa. Na do meu sogro, eu ficava mesmo na produção, ou seja, comecei no caminho inverso, do chão de fábrica para o estilo. Cansada de acompanhar uma grande e estressante produção em escala e a negociação cada vez mais difícil com os magazines, achei que para fugir da concorrência acirrada de produto, eu teria de oferecer ao mercado algo diferente do que as pessoas estavam acostumadas a ver, então pensei a usar cores e estampas mais sóbrias numa época em que só se via o tropicalismo e artesanatos brasileiros saturarem o mercado de praia; com isso, meu trabalho foi direcionado ao mercado que hoje atuo", conta Adriana. Por esse mercado, entenda-se um público feminino decidido e exigente que entende a proposta de vestir um bom maiô ou biquíni. "Hoje as peças se tornaram um objeto de desejo, pois elas sabem que as faço para estarem de bem com elas mesmas, que a deixem elegantes". Nesse quesito, a modelagem é a peça-chave: um padrão um pouco maior deixa as mulheres modernas, confortáveis e nada vulgares. Adriana diz que sua primeira marca se chamava Blue Girls e depois virou Adriana Degreas. A estilista conta ainda com uma segunda linha, recém-lançada, a Bain Hotel 33, elaborada para atender um público mais jovem que, como ela mesma diz, as filhas de suas atuais clientes. Há também a Petit Bain, marca infantil com peças cheias de bossa, como a das mamães, e a Private Gym, sua marca de fitness voltada também para esse público mais seleto. Com clientes tão distintas, que buscam qualidade, exclusividade e um toque inusitado, os materiais também são selecionados, como couro de tilápia, fivelas, argolas, metais, recursos de maquinário e tecidos que permitam trabalhar sua elasticidade de forma diferenciada, por exemplo, acabamentos de alta costura feitos em tecido plano, mas transportados para a moda praia. O crescimento do beachwear de luxo vem sendo percebido pela estilista, confirmando que até as marcas mais comerciais enxergaram que podem fazer dessas peças algo a mais. "A necessidade de "glamourizar" a moda praia, acredito, veio da mudança de comportamento do público feminino. Querer ser diferente fez a moda praia ir além. As peças passaram a transitar na vida urbana, e a valorização do corpo passou a ser um fator determinante para chamar a atenção a esse nicho de mercado. Ou seja, deixou de ter uma identidade limitada apenas a peças para tomar sol; deixou de ser um acessório e hoje faz parte do guarda-roupa." Com uma produção mensal que varia de 5 mil a 8 mil peças, e no verão chega a 15 mil, as regiões que mais consomem as peças da grife são as urbanas, e no exterior, vende para 40 pontos na Europa, 20 nos Estados Unidos e 12 nos Emirados Árabes. "Ainda não é um número muito significativo, mas estamos bem posicionados no mercado e crescendo aos poucos", informa Adriana. Hoje com duas lojas próprias, uma na Daslu e outra da Bain Hotel 33, no Shopping Anália Franco, e presente em 130 pontos de multimarcas pelo país, a grife pretende investir este ano em sua fábrica e no seu projeto de expansão no varejo. De um hobby de adolescência (vestir bonecas) à estilista de uma das maiores grifes de moda praia brasileira, Paola Robba soube conquistar seu espaço no mercado e também diversificá-lo. Primeiro, com a grife Poko Pano, surgida em 1988, com um DNA mais divertido e colorido, como ela mesma define; agora, há 3 anos, com a marca que leva seu nome, com uma cartela de cores mais sóbria, estampas discretas e tecidos diversificados, próprios para ambientes refinados, como passeios de barco e balneários. "A grife Paola Robba surgiu quando percebi que o cliente final sentia falta de um produto de moda praia de luxo. Pela minha experiência no segmento, pude avaliar quais eram os desejos das mulheres e traduzi em peças elegantes e confortáveis, próprias para momentos especiais", esclarece Paola. A estilista descreve suas clientes como mulheres bem resolvidas, que procuram sempre estar elegantes sem abrir mão do conforto, e diz que hoje elas estão cada vez mais exigentes e antenadas com a moda. "Para elas é importante que o biquíni se adapte ao estilo que escolherem para cada dia de seu verão; o luxo e o requinte fazem cada vez mais parte das praias de todo o mundo, e elas não admitem mais peças que deformem sua silhueta, portanto trabalhamos muito até atingir a qualidade que as clientes esperam". E para manter esse padrão, sua loja própria fica num dos bairros mais nobres de São Paulo, nos Jardins, além de vender para o Sul e Sudeste brasileiro e exportar para cerca de 40 países, principalmente Portugal, EUA, Austrália e Grécia. E mesmo com uma produção mensal de 14 mil peças, os cuidados e detalhes não ficam de fora, como tecidos tecnológicos que não mancham, não desbotam e têm maior durabilidade.
DE FORA PARA DENTRO Dos Estados Unidos para o Brasil. Esse foi o caminho nada usual criado pela economista Paula Hermanny, uma capixaba formada em economia no Brasil e que foi estudar business marketing em San Diego, Califórnia. "Sempre gostei de moda, queria me vestir bem e tinha um gosto diferente do que estava no mercado. Por isso, desde adolescente comecei a fazer minhas roupas e, com isso, surgiu a vontade de aprender mais sobre costura, combinações de cores e estampas e o que fica bom em cada tipo de corpo". Com isso, há 8 anos surgiu a Vix (que é a abreviação de Vitória nos aeroportos), da vontade de introduzir uma moda praia charmosa e sensual nos EUA, onde Paula mora, pois ela mesma diz que 10 anos atrás as americanas não tinham biquínis bonitos. O sucesso foi tanto que a grife comercializa hoje, além dos EUA, para 1.200 pontos de venda em todo o mundo e tem um ótimo mercado no Sudeste brasileiro, especialmente São Paulo. Aliás, o mercado brasileiro será uma das grandes investidas em 2010, pois, segundo Paula, apesar de estar há somente 3 anos aqui, com showroom no Rio de Janeiro, a marca tem sido muito bem-aceita e crescido bastante. "Isso me deixa muito feliz, pois sei que esse mercado no Brasil é muito bom e competitivo", comemora. De acordo com Paula, as pessoas estão procurando exclusividade em tudo. "Elas não querem estar na praia com outra pessoa usando o mesmo biquíni, principalmente se for estampado", alerta a estilista. Como diferencial, as peças da Vix trazem modelagem e ferragens especiais, banhadas a ouro para não enferrujar, além de acabamentos em couro e resina nos biquínis e um elastano com toque acetinado. A produção mensal da grife é de 30 mil peças e, embora não tenha loja própria, vende seus biquínis pela internet desde 2003 nos Estados Unidos; no Brasil, o site de vendas on-line será lançado agora em fevereiro.
MARÉ BOA Unindo sua experiência no mundo da moda e também nas centenas de viagens e lugares diferentes que conhece, a modelo e apresentadora Mariana Weickert se juntou às amigas Francise Taulois e Maria Leonor Borba e deu vida, há um ano, à Alór, com o propósito de fazer uma moda praia básica, mas com detalhes valiosos e modelagem que deixem a mulher linda, como as próprias sócias definem. Mariana diz que a cliente de sua marca é uma mulher com bagagem cultural, que frequenta boas praias, restaurantes, se preocupa com a natureza e saiba o significado de bem-estar. E isso se traduz nas peças em forma de conforto, com uma modelagem que não aperta, tecidos com toque suave e com uma borracha não tensionada, que evita que as indesejáveis gordurinhas fiquem marcadas, além de tecidos inteligentes com fibras tecnológicas e ferragens com um banho exclusivo que deixa uma tonalidade entre ouro e prata. "Percebemos que as pessoas procuram e querem acabamentos, tecidos e tratamento diferenciados; o cliente está exigente e sabe o que quer", ressalta. Ela ainda conta que as clientes da Alór compram saídas de praia (vestidos) que são usadas na areia e fora dela, como num barco, num almoço; muitas usam até para sair à noite. Isso mostra a versatilidade das peças, que não ficam restritas a um único meio, mas podem ser combinadas a calças, shorts e saias, por exemplo, e transitar tranquilamente na cidade, sem perder o ar de exclusividade. Apesar de nova, a grife produz 6 mil peças por mês e já possui loja própria no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, vendendo também para as principais multimarcas e regiões do país, com destaque para a região Sul. Ao todo, no Brasil, são 25 pontos de venda, além de exportar para Miami. Mariana destaca que, apesar de estarem no começo, precisam sempre acreditar e nunca se acomodar. "Priorizamos que tudo saia com o nosso lifestyle; tem de ter a cara da marca, e pensamos no que nossas clientes gostariam de possuir no guarda-roupa e usariam. Temos parceria com a La Estampa e outras marcas de peso, como os óculos Carrera e os jeans John John, além de criarmos bolsas e nécessaires que são must-have da marca. Todos os dias investimos e pensamos em cada detalhe", destaca a sócia. Dessa forma, o barquinho vai longe!
Fotos: Divulgação |

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Somente o litoral brasileiro possui mais de 7 mil quilômetros de praias, sem contar os lagos, rios e, é claro, os clubes, que não poderiam ficar de fora. Mas nem mesmo toda essa extensão é suficiente para mostrar o que a moda praia brasileira tem de melhor. Cada vez mais balneários refinados aqui e no exterior atraem pessoas dispostas a mostrar que "luxo e riqueza" também pisam na areia, sim (tá certo que chegam de lanchas e iates), como, por exemplo, em Jurerê Internacional (SC), Punta Del Leste, Saint Tropez, Caribe, Miami, entre muitas outras. 







