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Lixo e chuvas provocam desastrosa combinação em São Paulo
No Brás e no Bom Retiro, confecções e lojistas sofrem com o lixo despejado nas ruas, provocando alagamentos e transtornos
Por Leonardo Pessoa
É quase sempre a mesma cena. Quando as confecções e lojistas das regiões do Bom Retiro e Brás, em São Paulo, abaixam as portas no final do expediente, chega a hora do serviço de coleta de lixo passar e levar os retalhos, plásticos, papelões, entre outros dejetos produzidos diariamente. Um problema, porém, atinge essas ruas antes mesmo dos caminhões passarem. Armazenados em sacos apropriados, os lixos são mexidos e remexidos pelos catadores, que muitas vezes despejam o conteúdo dos sacos nas vias sem qualquer constrangimento. Recolhem o que interessa, inclusive os próprios sacos reclicláveis. Resultado? Em vários pontos, sujeira descontrolada com uma quantidade imensa de lixo agravando ainda mais o já complicado cenário trazido pelas chuvas. Um pouco de água que caia sobre a região acaba arrastando esses resíduos para os bueiros. Entupidos, eles causam alagamentos e transtornos à população inteira. Para o diretor da Alobras, Associação de Lojistas do Brás, Jean Makdissi Junior, na região que possui 6 mil lojas, o problema também está cada vez pior por conta dos ambulantes. "O lixo do Brás é muito rico, 90% reciclável, constituído de restos de papel, papelão, tecidos, retalhos, o que atrai catadores interessados em tirar algum proveito dali, sem qualquer preocupação ambiental", explica. Para ele, isso tem solução. "O que falta é política de coleta seletiva. Para evitar o que enfrentamos hoje, os órgãos públicos deveriam organizar cooperativas em que a coleta fosse realizada de loja em loja, evitando que os resíduos fossem para as ruas", defende. A própria Alobras pleitea há três anos um respaldo firme da prefeitura e até já iniciou uma tentativa de trabalhos com cooperativas. "Mas a crise que fez cair o valor dos recicláveis afugentou interessados no projeto. E também consideramos ser esta uma responsabilidade do município. Poderíamos nos espelhar na cidade de Porto Alegre (RS), que até aplica multa para o não cumprimento da coleta seletiva", aponta.
A Secretaria de Serviços da Prefeitura de São Paulo informa que não possui uma estimativa do volume produzido nas regiões do Brás e do Bom Retiro, pois os caminhões coletores colocam os resíduos juntos de diversas localidades. Por meio da assessoria de imprensa, comunica que a lei 14.973 determina que estabelecimentos geradores acima de 200 litros de resíduos diariamente e prédios mistos que produzam acima de mil litros diários façam obrigatoriamente a coleta seletiva, mantendo em suas dependências lixeiras para recebê-los. Em seguida, devem destinar esses materiais para a reciclagem. A CDL Bom Retiro, porém, destaca que nem todas as empresas nesse perfil atendem à lei. "Novamente, chamamos a atenção para a fiscalização", diz Kelly. A entidade também já articulou parcerias, mas não obteve êxito. De acordo com a Secretaria de Serviços, novas centrais de triagem estão sendo previstas na Agenda 2012, com a criação de mais nove áreas, duas oficinas de capacitação e instalados mil Pontos de Entrega Voluntária (PEVs). Com os novos galpões, a prefeitura pretende dar oportunidade para cooperativas que ainda não estão conveniadas participarem do Programa de Coleta Seletiva e ampliar o atendimento.
BBB da limpeza A prefeitura de São Paulo lançará em janeiro um site em que os paulistanos poderão acompanhar o serviço de limpeza das bocas de lobo, parte essencial para o sistema de drenagem da cidade durante a época das chuvas. Assim, se essa boca estiver entupida por resíduos de lixo, ela pode causar um ponto de alagamento. Segundo a Secretaria das Subprefeituras, a população também pode solicitar a limpeza dos bueiros e galerias no endereço http://sac.prefeitura.sp.gov.br/solicitacaocadastro.asp%20 ou pelo telefone 156.
Fotos: Silvia Boriello
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