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FASHION RIO - INVERNO 2010

 

Por Silvia Boriello

Os termômetros ultrapassando facilmente os 40 graus não deixaram o Rio de Janeiro lembrar do inverno nem de longe.

E o que se viu nas passarelas da segunda semana oficial da moda brasileira, o Fashion Rio, que aconteceu entre os dias 8 e 13 de janeiro no Píer Mauá, foram coleções de inverno bem tropicais, adaptadas ao nosso clima, com tecidos mais leves.

Os vestidos e saias curtas continuam, assim como as manguinhas e ombros marcados, estruturados. Mas as formas assimétricas apareceram, como na Santa Ephigênia. Mulheres guerreiras também tiveram destaque, assim como as multiculturais, femininas e urbanas.

Entre as marcas estreantes no line up do Fashion Rio estavam Andréa Marques (ex-Maria Bonita Extra); R. Groove; Nica Kessler; Patachou; New Order e Lucas Nascimento, estilista radicado em Londres que faz uma incrível linha de tricôs.

Entre as mudanças no evento anunciadas pelo CEO da Luminosidade, Paulo Borges, estão trazer as grifes de moda praia do São Paulo Fashion Week para o Fashion Rio; e a formação de um comitê para o calendário brasileiro de moda, formado por estilistas que participam das duas semanas de moda - São Paulo e Rio de Janeiro -, para alinhar o calendário de produção e apresentação das marcas a partir de 2010.

A bolsa de negócios, o Rio-à-Porter, também deve se expandir, com mais grifes participantes, espaço mais amplo e maior quantidade de dias.

CASA DE CRIADORES - INVERNO 2010

Por Silvia Boriello

A primeira semana de moda a abrir o calendário de lançamentos para o Inverno 2010 aconteceu entre os dias 22 e 27 de novembro de 2009 e de um jeito diferente. Isso porque, além dos desfiles que aconteceram no Shopping Frei Caneca, tiveram outros externos, em pontos diferentes da cidade. O primeiro que aconteceu foi o Fashion Mob, uma mobilização em que vários designers puderam se inscrever e mostrar o seu trabalho de forma coletiva, pelas ruas do centro de São Paulo, partindo do Largo do Arouche até o Parque da Luz, misturando passeata, happening e manifestação. Luis Leite, o mais votado, ganhou uma vaga para participar da 27ª Casa de Criadores, no Projeto Lab.

O desfile da marca Gêmeas ocorreu também no domingo à tarde, no Parque da Luz. O de Walério Araújo foi no Museu da Língua Portuguesa e o do coletivo Onono, foi uma instalação montada no Cartel 011.

O Projeto Ponto Zero, em parceria com a Abit e o Mercado Mundo Mix, focado em descobrir novos estilistas empreendedores, teve sua 2ª edição com a participação de alunos da Faap, USP, Anhembi-Morumbi, Senac, Faculdade Santa Marcelina e Belas Artes. A vencedora foi Cynthia Hayashi, da Santa Marcelina.

Fotos: Silvia Boriello e Marcelo Soubhia/Agência Fotosite

 

RIO-A-PORTER - INVERNO 2010

 

Por Silvia Boriello

Eis que surge mais um salão de negócios na moda carioca. Substituindo o Fashion Business, que agora é um salão paralelo fora do Fashion Rio, a primeira edição do Rio-a-Porter parece ter gerado bons frutos. Produzido pelo Grupo Luminosidade em parceria com a Francal Feiras, que possui vasta experiência em feiras especializadas do setor no Brasil, o salão de negócios aconteceu entre os dias 10 e 13 de janeiro no Píer Mauá, paralelamente aos desfiles do Fashion Rio. Com 150 expositores, apresentou a coleção de inverno 2010 dos segmentos feminino, masculino, infantil, beachwear, acessórios, sustentável e tecidos.

Maria Carlota Lobato Gário, do marketing e estilo da grife Raiz da Terra, avaliou sua participação no evento como uma ótima oportunidade para fazer novos contatos e dar maior visibilidade à marca. "O importante para a Raiz da
Terra é que novos consumidores possam conhecer o conceito eco fashion que a marca vem trabalhando desde a sua coleção de verão", diz.

A British Colony, tradicional grife carioca, marcou presença no Rio-a-Porter por acreditar na proposta do evento. "A integração entre os eles traz visibilidade para a marca e consolida o Rio de Janeiro como polo gerador de negócios para o setor de moda. Com toda certeza, registrou-se um movimento crescente de negócios e um início com forte identidade. O Rio-a-Porter tem a marca e o charme do Rio", considerou Débora Scatolini, do departamento de compras da grife.

A participação da Fábrica de Tecidos Bangu (no espaço do Polo Têxtil) foi bastante positiva nessa primeira edição do Rio-a-Porter, como avalia o diretor de marketing da empresa, Glauco Mansur. "Costumamos ter um número menor de visitantes nas edições de inverno, pois o perfil de comprador que vem ao Rio procura principalmente as coleções de verão. No entanto, a principal mudança do Rio-a-Porter que notamos em relação ao Fashion Business foi o direcionamento do público. Quase 100% dos visitantes do nosso stand eram lojistas, arquitetos e decoradores, compradores, estilistas ou profissionais relacionados às duas áreas (decoração e moda, em que atuamos). Esta já é a 12ª edição de que participamos da bolsa de negócios do Fashion Rio, e eu notei uma clara evolução na segmentação do público e no direcionamento do foco de produto que os visitantes da feira procuram", pondera. Glauco diz que possui um cliente confeccionista que comprou stand tanto no Fashion Business quanto no Rio-a-Porter, pois as perspectivas de resultados em ambas as feiras era uma grande incógnita para o mercado confeccionista do Rio e ninguém queria arriscar. No entanto, esse cliente obteve resultados de vendas consideravelmente melhores no stand do Rio-a-Porter. "A Malu Fiorese (gerente de negócios da Francal) esteve muito presente e acessível e foi bastante solicita durante todo o tempo do evento. Acredito que a próxima edição - o Verão 2011, depois de resolvidos alguns problemas de infraestrutura e transporte, será um sucesso absoluto", ressalta Glauco.

Carlos Eduardo de Lima, proprietário da marca Trave, marca especializada em cuecas, nascida em 2009, detectou falta de produtos diferenciados voltados ao público masculino, e por esse motivo desenvolveu uma coleção diferenciada com tecidos inovadores e tecnológicos. "Nossos produtos são voltados para o homem moderno que exige conforto e beleza sempre aliados. Estamos lançando a coleção esportes radicais, cuecas desenvolvidas para tornar a prática de esportes radicais mais confortáveis; um exemplo é a cueca com reforço interno das pernas para a prática de escalada, ou ainda com espuma nas laterais internas das pernas para a prática de ciclismo ou MotoCross. A participação da Trave no evento foi muito positiva; apesar de não ser exclusivo para a moda íntima, tivemos um ótimo resultado, superando as expectativas. Tivemos pedidos concretos e muitos contatos para a fabricação private label", declara Eduardo.

Francisca Vieira, especialista em roupas feitas com tecidos e tingimentos naturais, disse que o evento, para sua marca, teve dois pontos extremamente importantes: o primeiro, expor produtos de inverno pela primeira vez, para ver a aceitação do cliente internacional; o outro foi expor juntamente com grandes marcas num evento de grande porte. "A aceitação do cliente internacional foi ótima; agora já podemos participar de salões de inverno fora do Brasil em 2011, pois nos só fazíamos o verão, que é nosso forte. E por estar ao lado de grandes marcas, exige de nós maior dedicação e profissionalismo, pois o nível de expositor do salão é top de linha, e temos de estar à altura para atrair o comprador também de um grau de exigência muito elevado", revela Francisca.

A Rubra Rosa, que produz algodão colorido natural, e já exporta para os EUA, Espanha, Inglaterra, França e Japão, para clientes conquistados na SIMM-Madrid e Pret-a-Porter Paris, também achou uma boa oportunidade de mostrar seu trabalho e atrair novos clientes. "Foi o segundo ano que participei do salão no Rio e, apesar dos transtornos, fechamos negócios vantajosos", disse Graça Lyra, proprietária da marca.

As empresas das cidades de Barra Mansa, Volta Redonda, Barra do Piraí, Valença e Pinheiral, do Polo de Moda Sul Fluminense, coordenado pelo Sindvestsul, comemora sua participação com resultados positivos, crescimento de produção e vendas, e planejam a participação na próxima edição. Também participaram os polos de moda do Ceará, Divinominas, Rio Grande do Norte, Paraná e Pará, além de outros polos cariocas.

O evento também fez um desfile de abertura com as marcas participantes e palestras. De acordo com o balanço da organização, gerou R$ 526 milhões em negócios, sendo US$ 18,5 milhões em exportações. O Rio-a-Porter é promovido pelo Sistema Firjan e Inbrands e tem apoio da Abit, Sebrae, Senai Moda, Abest, Apex-Brasil, Texbrasil, Prefeitura do Rio de Janeiro e Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Foto: Silvia Boriello



 

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