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A INFLUÊNCIA JAPONESA NA MODA BRASILEIRA

Por Natalie Betito

 Em homenagem ao centenário da imigração japonesa no Brasil, o Senac Lapa Faustolo convidou estilistas renomados como Alexandre Herchcovitch, Érika Ikezili, Jum Nakao, Ronaldo Fraga e Walter Rodrigues, entre outros, além de quatro formandos do bacharelado em Design de Moda do Centro Universitário Senac, para cederem modelos que retratassem a diversidade cultural dos dois países. O resultado foi conferido na exposição “A Influência Japonesa na Moda Brasileira”, que ocorreu entre os dias 14 de fevereiro e 1º de março, na unidade Senac Lapa Faustolo. No total, a exposição contou com 19 looks (15 femininos e quatro masculinos) inspirados nas tradições e nos costumes japoneses.
Segundo o colaborador do Senac São Paulo e organizador da exposição, Jorge Seger, “a intenção foi mostrar, por meio dos looks, como a mistura nipo-brasileira se integrou ao repertório de influências dos estilistas nacionais, ainda que inconscientemente nas criações. Os nomes surgiram à medida que eu pesquisava estilistas que desfilaram suas coleções com temática japonesa. Claro que não poderia faltar Jum Nakao e Walter Rodrigues. Na exposição, comecei com os quimonos e samurais – referências que remetem ao começo de tudo. Depois passei para vestidos influenciados por quimonos, tanto na estamparia quanto na modelagem. Em seguida, aos origamis, com looks inspirados nas dobraduras, e termino com o street, no qual há influências do bairro japonês Harajuku, meninas lolitas, heroínas mangás e toy art”.
No dia 14 de fevereiro, data da abertura da exposição, a pesquisadora e autora do livro Japop – O poder da Cultura Japonesa, Cristiane Sato, ministrou a palestra A Estética Andrógina na Moda Japonesa. Sato abordou por meio de vídeos
e fotos as referências tradicionais do Japão, as quais refletem uma estética andrógina impressa na moda e no comportamento dos japoneses e os diversos grupos do bairro Harajuku, que repercutem o estilo pop e o streetstyle japonês.
No início da palestra, a pesquisadora lembrou à platéia o conceito do que seria o pop propriamente dito, citando precisamente as obras do artista plástico americano Andy Warhol, que acreditava na massificação da produção cultural e na distribuição da arte pelos meios de produção em grandes quantidades. E explicou que com o fim da 2ª guerra mundial e o início da guerra fria, os norte-americanos começaram a utilizar sua influência industrial como uma imposição cultural, investindo na propaganda e na divulgação do “way of life” americano como o melhor do mundo. Nesse sentido, a cultura pop foi a forma mais eficaz de propagar esse ideal, apoiando-se numa linguagem totalmente nova e até certo ponto encantadora. A influência americana no Japão foi então determinante para o nascimento de um pensamento e uma estética moderna.
Atualmente, as características mais evidentes do Japão conciliam aspectos relativos à tradição (preservação dos valores, da religião e da natureza) a elementos indispensáveis para uma vida moderna, como o domínio da tecnologia, acesso fácil a informação e a busca por uma identidade. A união desses preceitos tão opostos é que foi capaz de, durante décadas, contribuir para a construção de uma estética tão diferente do restante do mundo, e que hoje inspira estudantes, artistas, estilistas e pesquisadores de todo o mundo.
A pesquisadora cita como exemplo da androginia japonesa, o teatro Kabuki e o Takarazuca, formado apenas por homens no primeiro, e por mulheres no segundo. Entretanto, em ambos há a presença de papéis masculinos e femininos. E lembra a criação e introdução do terninho feminino, em 1969, pelo estilista francês Yves Saint Laurent, no guarda-roupa ocidental. No Japão, esse estilo não era novidade, pois a androginia já fazia parte do costume e do folclore japonês. Em 1972, o cantor David Bowie encantou o mundo com a estética criada em torno do álbum The Rise and Fall of Z
iggy Stardust and the Spiders From Mars, que curiosamente havia sido produzido por um estilista japonês chamado Kansai Yamamoto, que com o passar dos anos se especializou em figurinos e também produziu o visual do cantor Elton John.
Do visual futurista e andrógino de Bowie aos tempos atuais, o bairro de Harajuku assegura o status de maior difusor do streetstyle japonês. Os grupos femininos mais conhecidos, segundo a palestrante Cristiane Sato, dividem-se em: Gothic Lolita ou Gothic Loli, Gonguro ou Yamamba e Gari. Todo o exotismo e a criatividade na composição do visual dos freqüentadores do bairro só aparecem nos fins de semana, em que os jovens se encontram e produzem o visual certo de acordo com o grupo a que pertencem. Quando acaba o dia, todos trocam de roupa e vão embora para as suas casas sem a maquiagem, os acessórios ou as cores que os caracterizam. Para a pesquisadora, o que acontece no bairro de Harajuku é o reflexo da procura de uma identidade numa sociedade que prioriza o social.
Mas todo esse esforço só dura até a idade dos 20 anos, época em que, para a sociedade japonesa, a busca por uma identidade diferenciada ainda é permitida. A partir de então, os objetivos e modos começam a mudar para os jovens, que voltam as suas atenções para as regras sociais pertinentes à vida adulta, visando o sucesso profissional e a constituição de uma família. No Japão existem até grifes especializadas em atender esses grupos. Todavia, como lembra a pesquisadora, ao contrário do que se imagina, os jovens cheios de estilo de Harajuku não são referências para a alta moda japonesa, que privilegia muito mais a elegância, o funcionalismo e a elaboração das formas.

Fotos: Valter Medeiros/ Divulgação Senac

MEGA POLO MODA – OUTONO/INVERNO 2008


Por Silvia Boriello

Como o maior shopping atacadista da América Latina, nada no Mega Polo Moda poderia ser pequeno. E isso pôde ser conferido na 4ª edição de desfiles do shopping, que apresentou a coleção Outono/Inverno 2008 de mais de 280 de seus 400 lojistas, entre os dias 18 e 21 de fevereiro. Segundo dados do evento, aproximadamente 4 mil visitantes diários passaram pelo local durante os quatro dias de evento para conferir e dar seu aval do que estará nas ruas de todo o país em poucas semanas, enquanto nos dias normais a média é de 3 mil. Adelino Basílio, superintendente do Mega Polo Moda, destaca a importância dos desfiles para disseminar essas tendências, já que visitantes das regiões Norte/Nordeste, Sul, Centro-Oeste e de países como Angola, Chile e Argentina também estiveram presentes. Outro detalhe precioso é que todas as peças desfiladas já estavam disponíveis para pronta entrega nas lojas.
“O balanço dessa edição foi muito positivo”, comemora Juliana Gama, gerente de marketing do Mega Polo Moda. “Recebemos clientes de todo o Brasil e de outros países em nosso hotel, com capacidade para 300 hóspedes, e que teve 100% de sua
capacidade preenchida durante o evento.”
Juliana ainda ressalta que o Mega Polo Moda foi um dos primeiros centros comerciais a adotar o conceito fast-fashion e que, cada vez mais, membros de entidades de classe e universitários acompanham os desfiles, mostrando que o shopping é uma referência de moda também para esses profissionais.
Todos os lojistas do Mega Polo são convidados a participar dos desfiles, os quais têm foco comercial, e muitos clientes desses lojistas participantes já foram vistos programando suas compras por meio do desfile, que se tornou uma forte ferramenta de vendas. Outra força extra nas vendas veio da parceria do shopping com a Rede Globo, onde o guarda-roupa de atores e atrizes famosos das novelas é abastecido pelas lojas do Mega Pólo, fazendo com que os lojistas colham bons r
esultados desde 2007, quando foi firmada. “Há lojas que, só pelo fato de ter peças exibidas nos looks dos atores e atrizes das novelas globais, conseguem vender cerca de 500 peças em dois dias, o que é fantástico!”, comemora Juliana. “Isso comprova que, além de preço e qualidade, as roupas do Mega Polo Moda têm design e muita informação de moda, criando o ‘desejo’ de consumo”. Essa parceria com a Globo deu-se por meio de Ale Duarthe e Flávio Oliveira, consultores de imagem da Moda no Figurino, empresa que presta seus serviços ao shopping e organiza todos os desfiles.
Somente em 2007 houve um aumento de 17% no número de clientes do shopping por causa dessa divulgação, e as expectativas para 2008 é que esse número chegue a 20%.

Fotos: Márcia Fasoli e Silvia Boriello/Divulgação

PARKFASHION 2008


Por Silvia Boriello

Em sua 4ª edição, o ParkFashion, evento de moda, música e artes do ParkShopping, um dos maiores de Brasília, DF, que aconteceu entre os dias 10 e 14 de março, trouxe mais do que tendências para seu público consumidor, ou seja, classes A e B da região: trouxe também informação de moda com suas exposições (Passarela – 12 Momentos da Moda Brasileira, com curadoria de Jackson Araújo e fotos de Silvia Boriello, expondo os looks em manequim e em fotos de 12 momentos importantes para a moda brasileira; Daniel Ueda – 15 anos de carreira do stylist, representado em fotos com suas mais famosas produções para as principais revistas do país); a 3ª edição do concurso ParkFaces, que selecionou os novos rostos da moda brasiliense; o concurso FotoFashion, coordenado por Marco Antônio Vieira, destinado a descobrir novos talentos da fotografia de moda; workshop do fotógrafo Daniel Pinheiro sobre a história da fotografia de moda e edição, inspiração e produção; e uma palestra com a editora de moda Iesa Rodrigues sobre o panorama da moda no Brasil e no mundo.
Na passarela, desfilaram marcas como Maria Bonita, Forum, Cori,TNG, One Up, VR, Renner, Riachuelo, Lacoste, Calvin Klein, Ellus, Alexandre Herchcovitch, Swarovski, Bob Store, Art Design, Le Lis Blanc e Aramis. O consagrado estilista brasileiro Lino Vill
aventura, que possui uma grande clientela na região, também ganhou um desfile especial em comemoração aos seus 30 anos de carreira, numa retrospectiva de looks que marcaram suas coleções.
Cilene Vieira, diretora de marketing do ParkShopping, ressalta que o evento é feito apenas uma vez por ano porque o verão se alonga bastante, e o outono-inverno marca a renovação de coleções do shopping, é como se fosse o “start” das compras do ano. “Com os desfiles, conseguimos firmar a imagem de moda do shopping, e o aumento nas vendas se torna gradual à medida que as coleções apresentadas começam a aparecer nas vitrines”, diz.
Outro ponto marcante foi o anúncio da expansão do shopping com duas novas áreas distribuídas em 10.504m², ganhando mais 92 lojas. A primeira parte, chamada de Expansão Fashion, terá 3.090m², 20 lojas e será inaugurada em outubro deste ano; a segunda parte, com 7.414m², terá 72 lojas e inauguração prevista para julho de 2009.

Fotos Desfiles: Cristiano Sérgio/Divulgação

SPFW – INVERNO 2008


Por Silvia Boriello

A maratona de moda começou mais cedo em 2008. Logo após a semana carioca, foi a vez da São Paulo Fashion Week mostrar o que cada marca preparou para encher de estilo o inverno deste ano. Cerca de 40 grifes apresentaram as tendências mais quentes da moda nacional entre os dias 16 e 21 de janeiro, no prédio da Bienal, no Ibirapuera. Confira os high lights da edição:
 Alexandre Herchcovitch (fem.): arquitetura e geometria deram o tom da coleção. Ombros marcados e estruturados, decote V, saias com pontas assimétricas e macacões em alfaiataria longe do corpo foram as modelagens que mais apareceram. Nas cores, uma cartela bastante democrática, mas com destaque para o preto, cinza, laranja, petróleo, e vários tons de marrom. Na padronagem, o xadrez impera em diversos tamanhos, assim como o efeito caleidoscópico do patchwork de tecidos.
Alexandre Herchcovitch (masc.): os caubóis urbanos deram o que falar. A mistura de couro a peças de alfaiataria, o rústico x moderno combinou muitíssimo bem, como nas calças de náilon com regatas e jaquetas enceradas, parecendo couro desgastado, os coletes e leggings com estampas de caveirinha e os lenços no pescoço e os ponchos, bolsas e chapéus com franjas. Nas cores, preto, marrom, pink, cinza e toques de cereja. Nas estampas, xadrezes fechados e caveirinhas. Nos tecidos, o cetim predominou.
Amapô: estreando no evento, trouxe todo seu frescor e bom-humor à passarela com uma coleção cheia de influências dos anos 80, como os blazers, calças largas ou de cintura alta, jaquetinhas esportivas e muito tricô com aplicações volumosas nos ombros, como os enchimentos imitando conchas, que, aliás, deram o tom da estamparia. As franjas também apareceram em saias, vestidos e acessórios.
André Lima: saem as estampas, entram os volumes e dobraduras em tecidos preciosos, como seda, chiffon e outros tantos suntuosos. O fio que puxa a coleção é o drapeado, que aparece de diversas formas: nas saias dos vestidos, nos ombros, volumosos, ou mesmo no corpo, com efeito de tecido amassado. Nas cores, preto, vermelho e roxo. O comprimento das saias é democrático, vai desde o míni ao máxi.
Animale: outra estréia de peso no evento, a grife apostou no couro com efeitos matelados e de dobraduras, como a de leques, em algumas barras de jaquetas e saias. As calças de cintura alta, com vestidos-casaco, alguns com gola de paletó, são os pontos fortes. Nas cores, preto, marrom, cinza, goiaba e verde-água. Nas estampas, gravataria, listras finas e quadriculados.
Cavalera: a marca fez seu público e imprensa se deslocar numa manhã chuvosa de domingo a uma balsa em pleno Rio Tietê, no trecho do Cebolão. O lugar feio contrastou com a leveza e a beleza da coleção, em que Marcelo Sommer revisitou o acervo de tecidos da grife e trouxe de volta xadrezes, logos, cobertores e seu streetwear bem apurado, em que mistura jaquetas mateladas com casacos e vestidos longos, cheios de babados, com botas coloridas. Não há cores ou padronagens definidas, o que vale é a mistura do antigo com uma modelagem nova.
Cori: a grande surpresa da marca foi a entrada da dupla Dudu Bertholini e Rita Comparato, da Neon, sem perder a característica da mulher contemporânea e sofisticada, mas com um toque de frescor, que apareceu na modelagem de pantalonas com cintura alta e cinto com fivelão, shorts e casaquinho de cetim, usados com tops colantes, bustiês e vestidinhos estilo chemise, mas sem mangas, saias longas estampadas ou macacões de seda, estilo anos 70. O preto é o regente da cartela, mas cores vivas como o vermelho, verde-esmeralda, roxo e o brilho do metal dourado levantaram qualquer look.
Do Estilista: mais uma vez, Marcelo Sommer pode mostrar seu lado streetwear que flerta com o retrô, como na modelagem de vestidos e casacos, que receberam aplicações de chamas de fogo, formando uma estética western, especialmente nas botas e calças, camisas e vestidos xadrezes. As cores predominantes foram laranja, branco, azul e vermelho.
Ellus: roqueiros e góticos circularam a vontade nos vagões dos trens e na plataforma da Estação Júlio Prestes, na Luz, palco do desfile show da Ellus. As botas pesadas foram suavizadas com minissaias e vestidos em babados de tecidos delicados e transparentes, contrapostos a jaquetas de couro perfecto por cima. Camisas arrumadinhas e camisetas detonadas contam pontos na produção. Nas cores, o preto ganha pitadas de amarelo, vermelho, roxo, branco e goiaba.
Fause Haten (fem.): inspirado no México, o estilista trouxe elementos étnicos como as grandes flores coloridas bordadas em tops e vestidos, franjas e as listras com diversas cores fortes misturadas, com destaque para o preto, branco, laranja e goiaba. Os tecidos são fluídos e acetinados, com um brilho opaco ou bordados nas listras.
Forum: Tufi Duek abriu o jardim de sua casa para mostrar aos convidados uma coleção sofisticada e focada em vestidos de festa. Muito tomara-que-caia com busto estruturado, alças fininhas, ou de um ombro só. A cartela de cores foi bem fechada, com o branco, preto, vermelho, púrpura e vinho. Nos tecidos, predominância para os acetinados, que se destacaram com a estampa de rosas estilizadas de Paulo Von Poser. As flores também arrematavam os ombros de vestidos e aplicações em tops.
Huis Clos: anos 20 e 30 com um perfume noir deram o tom da coleção, que contou com vestidos mais soltos do corpo e comprimento médio, sempre com bolsos e golas trabalhadas com laços ou babados. Os terninhos com chapéu masculino fizeram contraponto à feminilidade. Nas cores, muito cinza, preto, dourado fosco e marfim.
Iódice: a marca vem trabalhando uma linha voltada mais para o casual chic, com vestidos em tecidos acetinados e seda. O comprimento míni e o toque de um ombro só nortearam a coleção, que também investiu em maxipulls de lã como vestidos e pontos grossos, assim como coletes. Nas cores, o preto predomina, acompanhado de azul-carbono, amarelo-canário, goiaba e castor.
Lino Villaventura: nervuras, babados, brilhos, transparências e brocados se misturam com maestria nas mãos de Lino, que exercita seu lado barroco sem ser caricato, quase montando um trabalho arquitetônico no corpo humano. Os vestidos podem vir tanto com caftans com camadas esvoaçantes e estampas lembrando o tie-dye, mas com um aspecto sofisticado, quanto em vestidos mais estruturados, como o coluna ou saia rodada com cintura marcada, sempre com muito volume e tecidos nobres. As cores predominantes foram preto, vermelho, cinza, prata e tons de ouro-velho, especialmente nas capas transparentes com fios metálicos.
Maria Bonita: o cardigã é explorado em suas mais diversas formas, seja com abotoamento enviesado, vestido ou coordenado com calças, leggings de mesma padronagem argyle ou macacões transparentes.
Neon: uma mistura de décadas (60 e 80) entra em harmonia na passarela com trilhos deslizantes da Neon. Bodies com gola alta, pantalonas e vestidos tubinho foram os destaques da coleção. Nas cores, preto, vermelho, amarelo e roxo, e nas estampas, etnias africanas e flores aquareladas.
Reinaldo Lourenço: o estilista se rendeu ao western americano, e em suas roupas estruturadas, como casaquinhos, saias rodadas e calças, há espaço para detalhes em couro nos ombros ou recortes com cores contrastantes formando desenhos do tema. Nas cores, preto, cinza, areia, carbono e vermelho.
Ronaldo Fraga: o estilista relembrou os tempos em que trabalhava numa loja de tecidos e transformou essas memórias em estampas de rolos de tecidos, e aplicações de retalhos, brilhos e camadas de tecidos. Os vestidinhos com ar retrô guiam a coleção, que também ganhou macacões e pantalonas em denim.
Zoomp: a estréia de Alexandre Herchcovitch como estilista da grife foi marcada pelo uso do látex em alguns modelos de vestido e macacão, estes também curtos, longos e justos, na versão denim, ponto principal da Zoomp. O trabalho de matelassê miúdo e crivos se destacaram.

CASO DE POLÍCIA
Não é nenhuma novidade o sumiço dos pertences de jornalistas em meio ao tumulto da SPFW, porém essa última edição foi marcada com saldo negativo, literalmente. Além do roubo de câmeras fotográficas, como aconteceu comigo dentro do PIT de fotógrafos, laptops, bolsas e “otras cositas más” também foram levadas da sala de imprensa, e até de dentro dos lounges montados na Bienal. É muito intrigante um evento desse porte não investir mais em segurança, monitoramento (câmeras) e um maior controle do fluxo de pessoas que circulam no espaço durante o evento, na maioria das vezes até atrapalhando quem precisa fazer um trabalho com profissionalismo e lutar contra o tempo na entrega dos materiais. Outro caso que deixou pasmo o povo da moda foi a Polícia Federal e a Justiça do Trabalho ter ido ao evento atrás do estilista Lorenzo Merlino, que quase não apresentou seu desfile por conta do ocorrido. Os comentários foram de que o estilista teria uma dívida trabalhista antiga em torno de R$ 30 mil, e como não estava sendo encontrado antes do desfile, a Bienal foi o local certo para encontrá-lo. Após negociações com seu advogado no camarim, Lorenzo apresentou sua coleção, que foi confiscada logo após o desfile. Está na hora de estilistas e empresas saberem que se não há verba suficiente para pagamento do trabalho prestado, é melhor não contratar.

Fotos: Silvia Boriello


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