Profissão

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Publicado em 23/01/2012
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PROFISSÃO

 

 

 

 

Por Renata Martorelli

 

 

 

A ARTE DA CRIAÇÃO

 

 

 

 

Ser estilista é ter criatividade para criar roupas que agradem aos consumidores, pensando na arte e no conforto

 

 

Como diria a ilustre estilista Coco Chanel, que revolucionou a década de 1920, “a moda não é algo presente apenas nas roupas. A moda está no céu, nas ruas, a moda tem a ver com ideias, a forma como vivemos, o que está acontecendo”.
Não é à toa que os estilistas são os responsáveis pelo setor de criação dentro das confecções, afinal estão sempre ligados em todas as manifestações possíveis, como já dizia o mito Chanel. Fazem pesquisas de mercado e de moda, criam peças, escolhem materiais, entre tantas outras coisas, que resultam em roupas e acessórios que enchem os olhos dos consumidores. Além de desenhar e definir modelos, os estilistas geralmente escolhem os temas das coleções, os tecidos e aviamentos que serão utilizados, definem estampas, acompanham as modelagens e a pilotagem, além de serem responsáveis pela criação da identidade da marca. Eles ainda possuem habilidades básicas de desenho, conhecimento técnico de construção da roupa e a capacidade de projetar produtos que unam beleza e praticidade.

 

 

 

 

Jaqueline Borges, estilista há dez anos em São Paulo, pesquisa tendências e lê sobre todos os assuntos. “O que mais gosto de fazer é criar e confeccionar as minhas peças. Na criação, transmito o que sinto e o que vejo. Isso me inspira, como se eu tivesse o poder de mudar tudo aquilo que está ao meu redor”. Segundo Jaqueline, para ser um bom estilista é preciso gostar do que faz, colocar em prática o que aprendeu, estudar e pesquisar sempre. Ela afirma ainda que o confeccionista valoriza o trabalho do profissional. “Estive em setembro na Europa fazendo algumas pesquisas e aproveitei para passear. Senti certa receptividade, como se o Brasil estivesse no caminho certo, desenvolvendo criações incríveis e sendo aceito em todo o mundo.”

 

 

 

 

 

 

A rotina de trabalho de Ricardo Aguiar de Faria, estilista há cinco anos e há dois anos trabalhando no Conquista Ateliê, em Campinas (SP), é intensa. “Começo verificando o que preciso terminar, sendo de minha responsabilidade os moldes. Estudo e pesquiso o que está em vigor no mundo dos negócios e associo tudo ao meu público-alvo para posteriormente desenvolver produtos de acordo com nosso perfil e criatividade, além de escolher as matérias-primas que conhecemos e com as quais sabemos lidar.” Para Ricardo, o principal desafio que a profissão enfrenta hoje é a falta de reconhecimento. “Existem muitos novos estilistas e muitas empresas no mercado, porém a oferta de emprego ainda é muito pequena. Cada estilista hoje conta com um conceito próprio e preferência de tipo de produção e concepção, e isso nem sempre é aceito pelo mercado. Eu comecei costurando e modelando, e esse é meu diferencial; assim faço produção independente e ofereço meu trabalho para algumas confecções e empresas da minha região.”
Ricardo afirma que é importante ser criativo, inovador, estar sempre atento ao mercado no geral, buscar novidades em materiais, além de levar em conta a opinião de todos os envolvidos na produção do produto e da marca, levando em consideração que algumas peças são difíceis de vender.

 

 

 

 

 

 

A estilista Liliane Zanette da Rosa, de Chapecó (SC), está na profissão há quase dois anos, trabalhando na empresa Destaque Etiquetas (Tecnolabel). Na opinião dela, a importância do estilista em toda a cadeia produtiva da confecção é o fato de ele trabalhar com a concepção e a idealização da roupa como um todo. Com relação aos desafios da profissão, Liliane diz que acredita que conquistar o espaço de trabalho é um dos desafios de qualquer profissão, porém para o estilista é maior ainda. “Por causa da pouca experiência, na maioria das vezes ele nem chega a ser contratado. Com isso, muitos acabam tendo de enfrentar seleções rigorosas.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A estilista da Comeciatto Modas, Luciana Maria Ximenes Bouth, de Fortaleza (CE), está na empresa há seis meses, mas atua na profissão há três anos. Segundo ela, o estilista não tem uma rotina de trabalho definida. Todo dia são realizadas tarefas diferentes. Para ela, o estilista é essencial para a confecção. “Acredito que o pequeno confeccionista, que ainda não tem um estilista em sua empresa, não tem margem para o crescimento, pois somos os profissionais responsáveis por conferir à marca sua identidade e originalidade; sem isso é impossível fidelizar o público em um mercado tão concorrido. O estilista não deve só idealizar o produto, mas deve ser o responsável direto pela absorção dele pelo mercado.” Outro ponto essencial na profissão, segundo Luciana, é ter inteligência emocional e saber lidar com as pessoas que trabalham com você.

 

 

 

Fotos: Arquivo Pessoal