Oferta e Demanda

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Publicado em 23/01/2012
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OFERTA E DEMANDA

 

 

Por Marcelo V. Prado

 

 

INVESTIMENTOS EM ALTA: O DIA SEGUINTE

 

 

 

Passados os efeitos da crise internacional, no segundo semestre de 2009, assistimos a uma forte retomada no consumo de moda no país, oferecendo ao varejo local excelentes resultados em vendas no Natal daquele ano.
Chegou 2010 e a campanha eleitoral pegou fogo por todo o país, turbinando a economia e o consumo, sem grandes preocupações dos nossos governantes com a conta a ser paga posteriormente.
A indústria têxtil e confeccionista brasileira, apesar do câmbio pouco favorável, conseguiu surfar muito bem nessa onda, alcançando os níveis de produção mais altos de sua história no Brasil. E, como é natural nesses momentos, muitos empresários acreditaram que esse crescimento poderia ser duradouro, motivando-se a investir pesado na ampliação e modernização de suas fábricas.
Infelizmente, as bases desse crescimento não são de fácil sustentação, ainda mais se considerarmos as condições de competitividade oferecidas pelo ambiente de produção no país – câmbio valorizado, tributos, burocracia, infraestrutura etc. –, as atuais dificuldades enfrentadas pelos principais mercados consumidores do mundo (EUA e União Europeia) e o arrefecimento dos incentivos governamentais, que demonstra predileção pelo setor têxtil apenas no discurso, pois, em atos, os incentivos são sempre destinados a outros segmentos industriais (automóveis, eletroeletrônicos etc.).
O fato é que, para quem investiu além do que devia, não tem como voltar atrás, quando uma tentativa nesse sentido seria difícil e extremamente custosa, em especial nos segmentos mais intensivos em capital, como fiações, tecelagens e beneficiadoras. Quando se nota que a aposta no crescimento das vendas e da produção foi feita sobre expectativas que não se confirmaram, vislumbra-se um panorama extremamente inquietante: como lidar com uma capacidade instalada ampliada, máquinas novinhas e prontas para operar, ao mesmo tempo em que as vendas estão em queda e os estoques e importações em elevação?
Seria extremamente injusto dizer que os que investiram foram inconsequentes ou desavisados, afinal, a maioria enfrentou de fato no ano passado demandas de clientes superiores à sua capacidade de produção e concluiu ser aquela uma boa oportunidade para tocar projetos de modernização e crescimento. Afinal, para um industrial, é muito frustrante rejeitar pedidos de clientes por falta de capacidade produtiva para atendê-los.
Pior, porém, é a situação contrária: manter instalações novas, modernas e eficientes paradas por falta de demanda. Pois foi o que vimos neste segundo semestre, quando o mercado interno passou a consumir num ritmo inferior ao necessário para absorver a produção interna, mais a montanha de importações desembarcadas nos inúmeros portos incentivados deste país.
O impacto desse desencontro entre oferta e demanda causou o maior rebaixo de produção já observado pelo Iemi, em mais de 20 anos de monitoramento nas indústrias de fios e tecidos do país. O mesmo ocorreu com as confecções, que também apresentaram redução nos volumes produzidos em 2011, sobre 2010, embora em menor proporção que os demais.
O fato é que 2012 será um grande desafio para os industriais têxteis do país, em especial aqueles que investiram na ampliação de suas instalações produtivas e que agora necessitam conquistar uma fatia maior do mercado para justificar e recuperar o que foi desembolsado.
Que venham as obras da Copa do Mundo, das Olimpíadas, e a vontade do governo de olhar com um pouco mais de consideração para um setor que emprega nada mais nada menos que 1,7 milhão de pessoas no país.
Feliz 2012, muita saúde e sucesso!

 

 

. Indicadores

A produção de vestuário cresceu 5,1% em outubro último, mas não foi suficiente para reverter a tendência de queda prevista para 2011. No ano, de janeiro a outubro, houve queda de 3,3% e nos últimos 12 meses terminados em outubro a queda foi de 2,3%.
O pessoal ocupado no setor voltou a cair em outubro (-0,5%), acumulando redução de 0,6% entre janeiro e outubro. Nos últimos 12 meses, a redução do pessoal ocupado no setor recuou 2,9%.
As vendas do varejo de vestuário cresceram em outubro. Em volumes físicos, o crescimento foi de 5,5% e, em valores das receitas, o crescimento foi de 6%. No ano, de janeiro a outubro, aumentou 4,5% em volumes e 12,8% em valores. Nos últimos 12 meses, o aumento foi de 5,7% em volumes e 13,6% em valores.
Segundo o IBGE, os preços do vestuário no varejo aumentaram 0,58% em novembro, acumulando alta de 7,42% no ano e de 8,86% nos últimos 12 meses. Entretanto, conforme a Fipe, que pesquisa a evolução dos preços somente em São Paulo, os preços do varejo do vestuário aumentaram 1,36% em outubro, acumulando 4,35% no ano e 5,06% nos últimos 12 meses.

As exportações brasileiras de vestuário entre janeiro e novembro aumentaram 2,3%, enquanto as importações aumentaram 59,8%, elevando o déficit da balança comercial do setor em 71%.

 

 

Conjuntura do setor de vestuário no Brasil

 

1. Produção, emprego, preços (%)

No mês

No ano

Últimos 12 meses

 

. Produção física (outubro 2011)

+5,1%

-3,3%

-2,3%

 

. Emprego (outubro 2011)

-0,5%

-0,6%

-2,9%

 

. Vendas no varejo em volumes (outubro 2011)

+5,5%

+4,5%

+5,7%

 

. Vendas no varejo em valores (outubro 2011)

+6,0%

+12,8%

+13,6%

 

. Preços ao consumidor (novembro 2011) IBGE (1)

+0,58%

+7,42%

+8,86%

 

. Preços ao consumidor (novembro 2011) Fipe (2)

+1,36%

+4,35%

+5,06%

2. Comércio exterior (US$ 1.000)

Jan.-nov. 2010

Jan.-nov. 2011

Variação (3)

. Exportação

159.968

163.696

+2,3%

. Importação

979.694

1.565.259

+59,8%

. Saldo (exportação – importação)

-819.726

-1.401.563

+71,0%

 

Fontes: IBGE / Fipe / Secex – Elaboração Iemi.
Notas: (1) IPCA – Índice de preços ao consumidor amplo – Brasil
            (2) IPC – Índice de preços ao consumidor – São Paulo
            (3) Variação janeiro-novembro 2011 / janeiro-novembro 2010


Marcelo V. Prado é sócio-diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi) e membro do Comitê Têxtil da Fiesp.
coluna.cp@iemi.com.br