Mercado
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MERCADO
SEM LIMITES PARA A CRIAÇÃO
Por Renata Martorelli
Estamparia digital chega para revolucionar o mercado confeccionista ao lado da serigrafia, com diversas opções de criação
A bastante conhecida serigrafia, segundo a Wikipédia, é um processo de impressão no qual a tinta é vazada – pela pressão de um rodo ou puxador – através de uma tela preparada. A tela (matriz serigráfica), normalmente de poliéster ou náilon, é esticada em um bastidor de madeira, alumínio ou aço. A “gravação” da tela se dá pelo processo de fotossensibilidade, em que a matriz preparada com uma emulsão fotossensível é colocada sobre um fotolito, sendo esse conjunto matriz + fotolito colocado por sua vez sobre uma mesa de luz. Os pontos escuros do fotolito correspondem aos locais que ficarão vazados na tela, permitindo a passagem da tinta pela trama do tecido, e os pontos claros (onde a luz passará pelo fotolito atingindo a emulsão) são impermeabilizados pelo endurecimento da emulsão fotossensível que foi exposta à luz. Ela ainda é bastante utilizada nos processos produtivos das confecções, mas agora conta com uma companheira: a estamparia digital.
Capaz de produzir imagens, cores, padrões e estampas diversas, a estamparia digital veio para ficar no setor têxtil. Além de estar abrindo novos mercados para as confecções e para os comerciantes de maquinários têxteis e de confecção, ela possibilita a utilização de inúmeras cores, a reprodução de tons contínuos de imagens, tamanhos de repetição ilimitados e aptidão para estampar diversas criações.
A estamparia digital permite que você estampe tudo o que sua mente conseguir criar. Além disso, conta com muitas vantagens, como a possibilidade de criar desenhos indeterminados e estampas com qualidade fotográfica; ter amostras antes de começar a produção; personalização e exclusividade, com diversas cores; baixo consumo de energia e de água; sistema rápido e limpo de distribuição de tintas; e redução nas perdas. O método é menos poluente e funciona como uma impressora de papel, possibilitando desenhos fiéis, com mais cores e riqueza de detalhes do que nos métodos tradicionais.
A Silmaq, empresa que está há 25 anos no mercado, optou por investir no mercado de estamparia digital há cerca de um ano e meio, graças à política comercial e estratégica da empresa, que busca a ampliação de mercado, ou com a maior participação nos segmentos em que já atua, ou com novas linhas de produtos, como é o caso da estamparia digital direta. “Nosso maior fornecedor de máquinas para estamparia digital direta, a israelense Kornit, apresentou recentemente dois novos modelos de máquina. A primeira, para estamparia localizada e que já estamos comercializando no Brasil, é a Kornit Avalanche 951, com dois berços de impressão, conjuntos de cabeças de impressão da cor branca e das cores básicas (CMYK) independentes, o que aumenta substancialmente a capacidade de produção do equipamento”, afirma Edson José de Souza, gerente nacional de vendas da Silmaq.

Para o ano que vem, a empresa contará com mais uma inovação para o segmento. “Passaremos a comercializar no Brasil a partir de março a Kornit Allegro, máquina para impressão contínua em tecido, com larguras que podem variar de 1,8 a 3,2 metros e produzir até 280 m2 por hora. Os tecidos estampados na Kornit Allegro não precisam de pré-tratamento, bastando que estejam alvejados ou pré-alvejados, e a cura é feita na própria máquina, não necessitando da etapa de vaporização”, complementa Edson. Todas as máquinas da Kornit estampam com pigmentos à base d’água que podem ser aplicados a substratos diversos, como algodão, poliéster, misturas de poliéster e algodão, viscose, seda, jeans, Lycra® etc., e podem estampar com qualidade sobre relevo, como vistas de camisas, bolsos, zíperes etc.

Na opinião da empresa, a exigência de processos ecologicamente corretos tem levado os fabricantes têxteis a procurar processos limpos e livres de resíduos. As máquinas digitais não geram resíduos e todo o circuito das tintas e produtos químicos é fechado, não agredindo o meio ambiente. Segundo Edson, existem outras vantagens também no processo. “Não há necessidade de investimento na compra e gravação de quadros ou cilindros, nem a necessidade de espaço físico e condições de armazenagem. O set-up de uma máquina digital é curtíssimo se comparado a processos convencionais, além da velocidade de desenvolvimento de estampas e a qualidade do produto acabado serem superiores. Acreditamos que o mercado para equipamentos com qualidade e de boa procedência tem um futuro promissor no Brasil.”
A Marbor, que está no mercado há 50 anos, em 2009 fechou uma parceria com a Mimaki, empresa japonesa fabricante de impressoras há 36 anos. Marcos Pinhata, diretor da Marbor Impressão Digital, diz que a empresa é reconhecida por trazer inovação ao mercado brasileiro. “Não é a primeira vez que apresentamos novas opções de produtos para o mercado têxtil. A opção pelas impressoras digitais foi uma necessidade levantada pela Marbor, pois era o que estava faltando para que as confecções pudessem agregar mais valor ao produto final.” Os produtos oferecidos pela empresa para o mercado têxtil são: Sublimação Mimaki TS3-1600 e JV5-160S, que atendem a clientes com produção de média a alta, fazendo respectivamente até 17 m2/h e 58 m2/h; Mimaki TPC-1000 e CJV30, ambas para impressão em transfer, com impressão em solvente e recorte, utilizadas na personalização de uniformes; Mimaki TX400-1800, para impressão direta em rolo de tecido tratado; e Polyprint Texjet, impressora grega para impressão direta em camisetas com capacidade de produção de até 60 camisetas por hora em algodão, indicada para trabalhar com eventos e personalização.
Conforme afirma Tirzah Basaglia, responsável pelo marketing da Marbor Impressão Digital, “o mercado sempre busca novos produtos para criar diferenciais nas vendas, e no Brasil não está sendo diferente. As confecções e estamparias estão em busca de inovações, mas principalmente buscando produtos de qualidade, que realmente atendam às novas exigências do público”.

Elas aproveitam as oportunidades
A Be Forever, marca do Grupo Rafitthy, atua há mais de dez anos no mercado de bolsas, e as estampas fazem parte das coleções da empresa quase desde o início, porém antes utilizavam o sintético como base, e hoje utilizam o tecido. A marca tem um estilo descolado, com estampas de animais e objetos, além de acabamentos com fios coloridos e laços. Quetini Linck, gerente de produto da Be Forever, explica que a empresa utiliza estamparia digital nas bolsas com o objetivo de tornar as imagens mais reais, trazendo veracidade às cores e elementos de cada peça. “A estamparia digital agrega valor ao produto por causa da qualidade da imagem. Principalmente com a utilização do tecido como base, é uma evolução em imagem que é muito semelhante à qualidade de uma impressão jato de tinta.” Quetini ainda afirma que o segmento está crescendo no Brasil graças à necessidade de estar sempre inovando e buscando alternativas com design a um custo que se enquadre na realidade do mercado. “Levamos em consideração também a responsabilidade ambiental na hora de substituir a base da estampa, já que o tecido é menos poluente do que o sintético”, conta Quetini.

A Dedeka, de Caxias do Sul (RS), produz homewear bebê e infantil e foi fundada em 12 de julho de 1990, começando a produção com calças plásticas. Hoje produz pijamas, bodies, roupões e acessórios para crianças que vestem do RN ao 14. Desde 1994, a Dedeka utiliza serigrafia em suas peças e desde 2004 possui sua própria serigrafia. “Primeiramente optamos por investir em serigrafia nas peças para poder oferecer o lúdico ao nosso público-alvo e ter a possibilidade de criar um produto diferenciado. Optamos por implantar a serigrafia na fábrica porque tínhamos esse serviço terceirizado. Com a terceirização, o processo para testar cores e definir as combinações era mais lento e dispendioso. Com a serigrafia dentro da empresa, conseguimos agilizar o processo de criação, fazer inovações e garantir uma melhor qualidade ao nosso cliente”, explica Sérgio Moacir da Rosa, diretor da Dedeka.
O objetivo da marca ao trabalhar com serigrafia é que as crianças possam interagir com elas, com pijamas com caça-palavras, com estampas que brilham no escuro etc. Sérgio acredita que esse tipo de trabalho é um complemento ao estilo do produto, além de ser praticamente uma obra de arte. “É fascinante ver o produto se transformando com a aplicação das cores na serigrafia.” Para ele, a técnica também contribui para as empresas se diferenciarem de seus concorrentes. Mas toda essa tecnologia e criatividade não param por aí. A Dedeka utiliza somente tintas à base d’água e não tóxicas e conta com uma estação de tratamento de água na serigrafia, para destinar corretamente os resíduos gerados por ela.
Serigrafia Sign FutureTextil
O sucesso dos segmentos de estamparia e de serigrafia não é de hoje, apesar de estar havendo um boom. A feira Serigrafia, voltada para o público do mercado de impressão serigráfica, surgiu em 1990 e logo depois foi lançada a Sign, para comunicação visual e impressão digital. A mais recente do grupo é a FutureTextil, voltada para tecnologias para estamparia, impressão, corte e acabamento em tecidos, lançada em 2010. Todas elas foram lançadas e organizadas até 2011 pelo Grupo Sertec, que foi comprado pelo Informa Group, de origem inglesa, considerada a segunda maior operadora de eventos do mundo. “A feira é um marco para os mercados nacional e internacional de serigrafia e comunicação visual. Trata-se de um dos maiores eventos do mundo, que reúne, em quatro dias, mais de 45 mil visitantes e 450 marcas expositoras por edição”, conta João Paulo Picolo, diretor da feira.
Em 2012, a Serigrafia Sign FutureTextil seguirá sob a orientação do Informa Group e contará com uma área maior, com mais expositores, mais lançamentos e maior público. “Atendendo a uma demanda do mercado, em paralelo à feira teremos um congresso organizado pelo IBC, empresa do grupo, líder mundial na organização de congressos, workshops e treinamentos, o que com certeza vai agregar muito aos profissionais de impressão digital e serigrafia que estão em busca de atualização e conhecimentos específicos”, explica Picolo. A feira acontecerá de 18 a 21 de julho, das 13h às 20h, no Expo Center Norte, em São Paulo.
O diretor da feira acredita que o segmento de impressão digital, inclusive para a reprodução de imagens e cores em tecidos, está em franca ascensão. “Como o mercado não conta com entidades de classe, não tenho dados mercadológicos para passar e ilustrar esse crescimento. No entanto, acredito que um evento bem posicionado, como é o caso da Serigrafia Sign FutureTextil, é capaz de confirmar esse crescimento. Nossos números são bastante agressivos, tanto em visitação como em exposição. A serigrafia, por exemplo, encontra-se numa fase diferente, mais madura. Há uma busca constante do mercado por outros caminhos para continuar crescendo. A cada ano o evento traz novas empresas, novas tecnologias e soluções que vão se adequando aos negócios de nossos visitantes, mostrando a todos a possibilidade de continuar inovando no dia a dia de suas empresas”, informa Picolo.
Fotos: Divulgação
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