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Por Silvia Boriello
FUNDAÇÃO VOLKSWAGEN DE OLHO NO FUTURO
Projeto social da empresa forma primeira grupo de empreendedores

Quem poderia imaginar que uma gigante multinacional do setor automobilístico poderia estar investindo num projeto social ligado à costura? Pois a Fundação Volkswagen está apostando no Costurando o Futuro, um projeto social feito em parceria com a prefeitura de São Bernardo do Campo e a Associação Mundaréu. O primeiro grupo, com 18 empreendedores, já se formou criando até uma empresa.
Esse programa teve início em 2009, quando um primeiro grupo em situação de fragilidade social da comunidade DER, em São Bernardo do Campo (SP), participou de um trabalho de aperfeiçoamento técnico em costura, com aulas de empreendedorismo e acompanhamento psicológico. No ano seguinte, mais de 120 pessoas foram capacitadas por esse primeiro grupo da escola-oficina, e muitos já estão no mercado de trabalho. “Após a primeira fase de transformação social, com o início do projeto, passamos pelo aperfeiçoamento técnico e percebemos agora o início da autonomia dessas pessoas, por meio da geração de renda”, declara a diretora da Fundação Volkswagen, Conceição Mirandola. Hoje, 18 integrantes da primeira turma de participantes formaram a Tecoste (tecido, costura e arte) e trabalham na oficina de costura montada na Secretaria de Desenvolvimento Social de São Bernardo do Campo (Sedesc). Criaram três linhas de produto, com mais de 30 itens, como bolsas, aventais, nécessaires, lixeiras para carro, mochilas, estojos, entre outros, e já reutilizaram mais de 31 toneladas de tecidos.
Esse material provém das amostras de tecidos automotivos, da doação de uniformes usados de funcionários e até de cintos de segurança. Ou seja, além de aprenderem um ofício para gerar renda, reduzem o impacto ambiental do que seria descartado no meioambiente.
O trabalho tem início quando os funcionários fazem a troca na fábrica dos uniformes usados por novos. Os velhos são direcionados para uma triagem e, após a limpeza, seguem para a sede do Costurando o Futuro. Lá, são separados em partes, como golas, mangas, costas, entre outras, e assim as novas peças começam a ganhar vida.
Mas o trabalho não fica apenas na costura. Os empreendedores envolvem-se em todas as etapas da produção, como a gestão administrativa de compras, estoque, criação, vendas e distribuição do lucro, tudo feito pela própria equipe.
O principal cliente é a própria Volkswagen, que chegou a utilizar as nécessaires como brinde no Salão do Automóvel de 2010. Os integrantes da Tecoste já conseguem um complemento de renda de, em média, R$ 400 mensais, dependendo do ritmo de produção. Atualmente, o grupo cria protótipos para uso em veículos, como uma bolsa para guarda-chuvas molhados, e se prepara para aumentar a escala de produção com a formalização do empreendimento por meio de cooperativa ou empresa que será gerida pelas próprias costureiras e pelo modelista e cortador Dirceu Tena.
A Fundação Volkswagen existe há mais de 30 anos e já investiu R$ 550 mil no Costurando o Futuro, que visa ao desenvolvimento social das comunidades próximas à fábrica em São Bernardo do Campo e faz parte de um dos quatro projetos mantidos pela entidade. Os outros são: VW na Comunidade, um concurso entre funcionários para a indicação de projetos para obtenção de apoio da empresa; apoio ao Instituto Baccarelli, responsável pela Orquestra Sinfônica de Heliópolis, formada por jovens da comunidade; e o Pró-Educar Brasil, um programa de apoio à formação superior de professores.
Foto: Divulgação
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