Exportação

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Publicado em 23/01/2012
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EXPORTAÇÃO

 

 

Por Fábio Campos Fatalla

 

 

APRENDENDO COM AS INCERTEZAS DE EXPORTAR TÊXTEIS E CALÇADOS PARA A ARGENTINA

 

 

 

Diferentemente do futebol, em que somos melhores do que os argentinos, com cinco Copas do Mundo conquistadas contra duas dos hermanos, nas questões relacionadas ao comércio exterior a Argentina sempre esteve à nossa frente. Ao longo das últimas décadas, as lideranças argentinas nos mostraram, invariavelmente, que são capazes de manobrar as autoridades brasileiras, mesmo tendo uma expressiva desvantagem econômica em relação a nós.
Até mesmo a história dos argentinos no comércio exterior é mais longa do que a brasileira. O país vizinho sempre foi mais aberto ao comércio internacional do que o Brasil. Sem dúvida, manter relações comerciais com a Argentina na área têxtil é um fator de grande importância, afinal eles têm uma cultura consumista e um poder econômico relativamente significativo.
O que devemos repensar é como o Brasil deve proceder em relação às atitudes unilaterais muitas vezes tomadas pelo governo argentino, tendo à frente a presidente Cristina Kirchner. Produtos fabricados no Brasil que têm a Argentina como destino estão passando semanas no aguardo da liberação de licença não automática do governo vizinho. Essa barreira criada para proteger a indústria argentina causa prejuízos milionários à indústria têxtil e de calçados. Diante disso, nosso governo deve reagir de maneira rápida e eficaz para proteger os interesses nacionais.
Nesse sentido, o jogo deve ser feito por ambas as partes utilizando as mesmas regras. O Brasil precisa representar os interesses de sua indústria exportadora. No caso dos produtos têxteis, é importante lembrar, ainda, o grave problema de sazonalidade. O exportador não pode aguardar longos períodos sem saber o destino de sua mercadoria.
O coordenador da área internacional da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Domingos Mosca, destaca corretamente que fornecedores de toalhas e de lençóis, em especial, têm sofrido com o problema da sazonalidade. Segundo ele, a indústria têxtil é atingida pela falta de previsibilidade e fica em um beco sem saída. “Se você não sabe quando seu produto vai chegar à vitrine, como define se manda peças da coleção de inverno ou da coleção de verão?” Diante desse tipo de incerteza, a participação dos brasileiros nas importações argentinas de produtos têxteis caiu de 57%, em 2003, para 28%, em 2010.
O fortalecimento das nossas exportações para a Argentina é um passo importante também para conquistar uma posição fundamental que determinará nossa situação no cenário internacional. A experiência com essas dificuldades aplicadas pelas licenças não automáticas da Argentina é importante e demonstra o que podemos encontrar em outros mercados, muitas vezes ainda mais agressivos e protegidos contra a invasão de artigos estrangeiros.
Assim, vamos definindo e exigindo de nossa indústria uma melhor eficiência administrativa, com melhores produtos à disposição, e reivindicações ao governo federal no intuito de alavancar a participação em feiras, comitivas e tratativas governamentais, facilitar aberturas de crédito e, finalmente, diminuir a alta carga tributária brasileira, condições indispensáveis para a melhoria das nossas exportações.

 

 

 

Fábio Campos Fatalla é engenheiro e sócio da Interface Engenharia Aduaneira.
fatalla@interface.eng.br
Foto: Divulgação