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Publicado em 23/01/2012
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ESPECIAL

 

 

CORAÇÃO DO BRASIL

 

 

Por Silvia Boriello

 

  


Colaboração: Marta De Divitiis

 

 

 

 

Considerado o maior e mais importante polo têxtil e confeccionista do Brasil, dono das principais semanas de moda, universidades do setor e concentrador das mais importantes feiras nacionais, São Paulo revela suas várias faces e histórias e mostra por que é o coração pulsante da indústria nacional.

 

 

 

 

De província a império. Do alvará de produção de “panos grosseiros para as roupas dos escravos” que a rainha portuguesa dona Maria I assinou em Lisboa em 1785 aos dias de hoje, muitas coisas mudaram mesmo em São Paulo. A gigante que “nunca dorme” tornou-se o ponto principal onde tudo acontece no Brasil.
A Revolução Industrial e as Grandes Guerras Mundiais forçaram a saída dos europeus de seus países, e muitos deles aportaram no Brasil, mais especificamente em São Paulo, onde o trabalho na lavoura e nos teares os recebeu de braços abertos, fazendo com que o Estado se tornasse essa potência nacional e também mundial. Hoje, são mais de 10 mil empresas entre tecelagens, fiações, malharias, beneficiamento, fibras químicas e confeccionadas em todo o estado, respondendo por cerca de 30% da produção total nacional, segundo dados do Instituto de Estudos e Marketing Indutrial (Iemi) em parceria com o Sinditêxtil-SP e o Sindivestuário-SP. Só em 2010, gerou mais de 500 mil empregos diretos; faturou US$ 705,6 milhões, sem contar a fibra de algodão; exportou US$ 468,6 milhões (sem fibra de algodão); importou US$ 1,174 bilhão (sem fibra de algodão); produziu 1,882 milhão de toneladas de tecidos e fibras e 2,790 bilhões de peças confeccionadas, colocando-se em primeiro lugar no ranking brasileiro do setor, de acordo com dados do Iemi e da Associação Brasileira da Indústira Têxtil e de Confecção (Abit). Em 2010, foram investidos R$ 864 milhões nesse segmento em São Paulo, quase metade dos R$ 2 bilhões no Brasil todo.
“O estado de São Paulo é o maior polo confeccionista de vestuário do país, respondendo por 35% do setor, mas já tivemos 45% há dez anos. Com as ações de redução do ICMS que vimos conquistando junto ao governo estadual, esperamos voltar a crescer em volume, valor e empregos gerados”, diz Ronald Masijah, presidente do Sindivestuário-SP, apesar da queda de 11,9% na produção de vestuário em São Paulo no mês de setembro, anunciada no final de 2011, ao passo que as vendas tiveram aumento de 0,6% no mesmo período, resultado da entrada de produtos importados no varejo. Outros indicadores também tiveram queda em setembro de 2011, se comparados aos do mesmo período de 2010, conforme avaliado pelo economista do Sindivestuário Haroldo Silva, tais como: horas trabalhadas (-4,1%), índice de empregos (-3,8%) e utilização de capacidade instalada (0,7%). “O setor de vestuário vem apresentando queda da atividade industrial de forma preocupante. Temos um setor moderno e pronto para competir internacionalmente, mas precisamos de isonomia na questão dos encargos tributários e trabalhistas, elevadíssimos no Brasil, sendo de 40% sobre cada peça produzida e de 102% em cada salário pago aos trabalhadores”, alerta Masijah.

 

 

 

EPICENTRO DAS CONFECÇÕES
Não é só a esquina da Ipiranga com a São João que trouxe fama às ruas da capital paulista. A metrópole que não dorme faz a alegria de consumidores de todo o Brasil quando o assunto é “comprar roupa”. Além da babilônica concentração de shopping centers, que são inaugurados num piscar de olhos, as ruas têm todo o charme e apelo comercial para todos os gostos e bolsos. Nos Jardins e Itaim Bibi, estão as mais sofisticadas, como as da Oscar Freire e João Cachoeira.
E como não falar do Brás e do Bom Retiro, os dois maiores polos confeccionistas do país? Como as primeiras tecelagens paulistanas (Cotonifício Crespi, Tecelagem Mariângela – do conde Francisco Matarazzo –, Tecelagem Matarazzo, Alpargatas, Santista, Helvetia, Fábrica de Tecidos São Luiz, Fiação Anhaia, Luzitânia, Votorantim, entre muitas outras) nascidas nas redondezas entre Mooca, Pari, Belenzinho, Brás, Bom Retiro e Barra Funda, regiões que concentravam o maior número de imigrantes trabalhadores do setor (italianos, espanhóis, portugueses), esses mesmos passaram a confeccionar roupas e vendê-las no próprio bairro e adjacências. Uma segunda leva de imigração trouxe gregos, armênios e libaneses para o Brás, onde tomaram conta dessa atividade, profissionalizando-a com o tempo e tornando a região o maior polo de confecções da América Latina e um dos maiores do mundo. Hoje são cerca de 5 mil lojas e 4 mil confecções espalhadas por suas ruas, de acordo com levantamento da Associação de Lojistas do Brás (Alobrás).
Nas décadas de 1960 e 1970, com o aumento do número de confecções, o bairro tornou-se referência nacional em pronta-entrega, com compradores vindos de todas as regiões do Brasil e também do exterior, como Argentina, Bolívia, Paraguai e Angola. Hoje, a média é de 300 mil compradores por dia, chegando até a 800 mil, em épocas de datas especiais, e faturamento em torno dos R$ 10 bilhões ao ano. Só em jeans, são produzidos 10 milhões de peças/mês.
Um modelo de empreendimento que deu supercerto na região é o shopping atacadista de pronta-entrega Mega Polo Moda, que surgiu da fusão entre o Polo Moda e o SP Mega Mix, de antigos comerciantes da região. Inaugurado em setembro de 2005, conta com 400 lojas de todos os segmentos de vestuário. São cerca de 3 mil visitantes/dia, chegando a 5 mil em datas especiais, como Dia das Mães e Natal, e estes têm à mão toda a infraestrutura de hotel com 300 leitos, rodoviária, praça de alimentação e conveniência dentro do shopping. O sucesso é tanto que rendeu até uma parceria com a Rede Globo, o projeto Peça da Novela.
Criado em 2007 pela agência Moda no Figurino, consiste em fornecer looks dos lojistas do Mega Polo para os figurinos das novelas e programas semanais da emissora. As peças usadas no figurino ganham destaque nas vitrines do shopping e o tag “Peça da Novela”, fazendo com que as vendas aumentem o triplo em relação a uma peça que não tenha a etiqueta. Em 2011, o Mega Polo iniciou seu plano de expansão e inaugurou, no segundo semestre, uma unidade em Cianorte (PR). A ideia é dar continuidade a esse plano.
Para Juliana Gama, gerente de marketing do shopping, “o Brás deixou de ser apenas um importante polo distribuidor de jeans e passou a ser um dos principais polos ditadores de tendências, além de ser o principal reduto de bons negócios em moda de qualidade a preços incríveis, garantindo, assim, visibilidade aos compradores de moda no atacado”.

 

 

 

E como não falar do Bom Retiro? O segundo – e não menos importante – polo confeccionista brasileiro, que nasceu na porta de entrada dos imigrantes no século 19, ao lado da Estação da Luz, vindos de todas as partes do mundo. Italianos, espanhóis e judeus deram vida ao bairro, que respira confecção. Roupas, tecidos, aviamentos, máquinas de costura, bordado e passadoria são apenas os destaques da região, que oferece praticamente tudo de que uma confecção precisa. A José Paulino, que até 1916 se chamava Rua dos Imigrantes, sempre teve vocação para o comércio de roupas e tecidos. A Aimorés é hoje a principal rua no bairro para quem quer comprar moda de qualidade no atacado. A Cesare Lombroso, antiga Rua Itaboca, é outro ponto obrigatório dos atacadistas.
No final dos anos 1960 e início dos 1970, começaram a vir os coreanos para o Bom Retiro, o que se intensificou dos anos 1990 para cá. Com fama de “poucos amigos”, eles acabaram investindo pesado no setor confeccionista e transformaram a cara do bairro, revitalizando o setor com informação de moda e repaginando os layouts das lojas. Hoje, 70% do comércio é deles.
O “Bomra”, como é carinhosamente chamado, possui em média 1.600 confecções (55% de moda feminina), sendo 90% fabricantes; produz 25 mil peças/mês por empresa; gera 50 mil empregos diretos e 30 mil indiretos; recebe cerca de 20 ônibus de compradores por dia, vindos de todo o Brasil, especialmente da Região Sul; 80 mil pessoas circulam diariamente por suas ruas setorizadas; e fatura R$ 3,5 bilhões anuais. “O Bom Retiro é muito importante para o setor têxtil por fazer parte da moda brasileira, com produtos de qualidade a preços justos”, declara Marcelo Mattoso Azevedo, presidente da Câmara de Dirigentes e Lojistas do Bom Retiro.
A presença judaica e coreana toma conta do bairro, mas quem também vem se destacando são os bolivianos, que vieram para trabalhar como empregados e hoje estão se tornando empreendedores com suas próprias confecções. Teco Açurdui Padilha e Juan Cusicanki são imigrantes bolivianos que vieram para o Brasil tentar a sorte. Juan, músico e ator, veio de La Paz nos anos 1980 e começou a trabalhar como costureiro por acaso, trabalhando com jaquetas de couro. E, como sempre se manteve no meio artístico, começou a fazer cenografia com lonas e outros tecidos especiais para infláveis, além de figurinos para peças de teatro. Formado em modelagem, ele hoje dá aulas e workshops na área. “Para mim, São Paulo significa a modernidade; em outras partes do mundo existem guetos latinos, aqui não, você pode se misturar a toda a sociedade”. Teço Açurdui Padilha, a “Charito”, deixou La Paz em agosto de 2010 em direção ao Brasil para trabalhar com um primo faccionista, com quem ficou dois meses. Passou por situações difíceis, com bolivianos escravizando seus próprios compatriotas, até achar um lugar digno de trabalho em confecção. Acabou entrando para o teatro, tendo se apresentado em peças e performances com a estilista Carina Casuscelli. Mullher de fibra e princípios, o que ganhava mandava para o sustento dos dois filhos que ficaram na Bolívia, os quais voltou para ver no início deste ano, mas pretende voltar para cá. “Estou indo muito feliz com o que pude aprender e com as amizades que fiz, que levo no coração”, diz Charito.
Outra peculiaridade do setor que só se encontra no Bom Retiro é a Cavemac. A loja fundada pelo italiano Giuseppe Tropi Somma há mais de 30 anos é a maior do mundo em seu segmento, o de peças para máquinas de costura industriais. “Nos tempos em que ainda não havia internet, São Paulo era o único lugar onde se encontrava de tudo para abastecer a produção e o comércio nos lugares mais remotos do Brasil. Hoje, com esse advento, encontra-se tudo em qualquer lugar, mas São Paulo ainda é o ‘mercado central’ por suas ofertas, diversidade, disponibilidade e preço competitivo. Aqui, como o setor de confecção é pulverizado, seu gigantismo se disfarça e parece menor, comparado a Caruaru ou Goiânia, onde há uma concentração de empresas, mas
ainda é, de longe, o maior polo confeccionista do Brasil. E a Cavemac não poderia estar em outro lugar para
irradiar seus serviços a todo o território nacional e aos demais países da América Latina”, declara Giuseppe.

 

 

 

 

O AVESSO DO AVESSO
Da capital para o interior. A imigração chegou ao sertão paulista e plantou sua semente têxtil, dando origem a plantações de algodão, teares e tecelagens. A história conta que a primeira tentativa de implantar uma fábrica de tecidos na província de São Paulo foi em 1852, em Sorocaba, pelas mãos de Manoel Lopes de Oliveira. Anos mais tarde, em 1875, um imigrante alemão juntou-se a dois fazendeiros em Americana e fundou a Tecidos Carioba, a primeira fábrica da cidade (tinha até uma mini-hidrelétrica própria), que até hoje tem a maior parte de sua economia calcada no setor têxtil. “A região se formou por causa dessa empresa. E, quando os teares ficavam velhos e precisavam ser trocados, eram vendidos aos funcionários, que colocavam em algum canto de suas casas e começavam a produzir, criando a cultura têxtil. Hoje, Americana, Nova Odessa, Sumaré e Santa Bárbara
d’Oeste possuem, juntas, 550 indústrias têxteis e 800 confecções, sendo que 95% delas são de famílias da região”, conta Fábio Beretta Rossi, empresário industrial têxtil e presidente do Sindicato das Indústrias de
Tecelagem de Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré (Sinditec).
A vocação da região é tanta que ela se tornou a maior fabricante de fibras sintéticas da América Latina, e a produção de índigo vem crescendo vertiginosamente. “Formou-se um cluster têxtil na região, onde uma empresa depende da outra em diversas etapas, como um elo mesmo”, completa Beretta. Hoje, 35 mil empregos diretos e de 15 a 20 mil indiretos sustentam as quatro cidades, que produzem juntas, por mês, 120 milhões de metros lineares. Se não fossem os importados, a produção poderia ser de 160 milhões de metros lineares/mês. Beretta revela que os produtores de índigo da região têm reclamado bastante da entrada de peças prontas contrabandeadas pelo preço só do tecido, sem contar a manufatura. Com isso, os investimentos no parque fabril também caíram, passando da média de US$ 100 a 150 milhões/ano para US$ 50 milhões em 2011, e isso somente no primeiro semestre, pois o segundo ficou estagnado. “A indústria têxtil é a que produz a riqueza da região há mais de 100 anos, passando por diversos períodos críticos e mantendo-se firme. Produzimos o que há de melhor em têxtil. Inclusive, está em fase final de aprovação na Assembleia Legislativa de São Paulo o título de ‘Região Têxtil Paulista’, o que deve acontecer ainda este ano”, completa o presidente do Sinditec.

 

 

 

PARTE DA HISTÓRIA
Se fôssemos enumerar todas as empresas que fazem parte da indústria têxtil paulista, as páginas desta matéria
seriam poucas. Uma dessas representantes é a Tavex, nascida Santista Têxtil em São Paulo, em 1929. De lá pra
cá, são mais de 160 anos de história. Seu nome atual deu-se em 2006, com a fusão entre a Santista Têxtil e a
mexicana Tavex Algodonera, que a tornou líder mundial em jeans, com oito unidades industriais em três continentes e capacidade produtiva anual superior a 180 milhões de metros lineares. Para Maria José Orione,
diretora de marketing da Tavex, “São Paulo possui a força de ser a capital econômica do país e, como tal, tem
importância para qualquer setor relevante do Brasil”.
No alto de seus 12 anos de idade, o menino Roberto Bebianno Costa não fazia ideia do que seria sua vida ao
desembarcar no Rio de Janeiro em 1912, vindo de Portugal. Como sua mãe estava em grave situação de
saúde, seu pai resolveu enviar os filhos homens para outros países de língua portuguesa, pois não tinha condições de criá-los. Após muitos anos trabalhando como vendedor de tecidos, Roberto comprou, em 1947, a Franco e Figueira S/A, empresa que fabricava fitas e etiquetas bordadas desde 1932, no Brás. Sua primeira ação foi investir em novos teares mais modernos para alavancar a produção. Vindos da Suíça, tinham a palavra “Helvetia” nos selos, o que atraiu a simpatia de Roberto, que resolveu rebatizar a empresa com esse nome. Várias gerações dos Bebianno passaram por lá, tendo hoje Rogério Bebianno Costa como diretor. Seu parque fabril atual é de 6 mil m2, com urdideiras próprias e capacidade produtiva de mais de 700 milhões de etiquetas/ano, produzindo para as principais marcas nacionais. “Nossa indústria é bastante beneficiada pelo vanguardismo das marcas paulistas, que geram demanda por inovação, colaborando para a evolução de toda a cadeia têxtil”, comenta Rogério.
Outra empresa que representa bem o setor têxtil paulista é a Canatiba. Fundada em Santa Bárbara d’Oeste em 1969 por João Covolan Filho, que passou a direção da empresa em 1976 para seus filhos, os atuais diretores e cofundadores, a Canatiba é hoje uma das maiores empresas de denim premium da América Latina. Além da matriz, possui ainda outras duas unidades fabris na cidade e um showroom no Centro Empresarial Mega Polo, na capital paulista. Sobre a importância da indústria têxtil e confeccionista de São Paulo para o Brasil, a diretora de marketing da empresa, Marli Vernillo, declara: “A força do polo têxtil paulista reflete-se na realização permanente de negócios – como é o caso do bairro do Brás – e de grandes eventos do setor, como a feira Première Brasil, que hoje recebe visitantes de todas as regiões do Brasil e do mercado internacional, interessados em realizar ótimas negociações”.

 

 

 

 

 

 

 

“São Paulo é onde tudo se confirma, e na moda isso não poderia ser diferente. Tudo começa em algum lugar, mas só aqui é que fica sério, vira business e dinheiro. Talvez seja o passado industrial desta cidade ou o DNA da italianada, mas, uma vez sucesso aqui, isso se reverberará por todo o país. São Paulo na moda é sisuda e, se mal compreendida, é chata, fechada, séria; não temos a malemolência dos cariocas, o barroquismo dos mineiros, nem o bairrismo dos gaúchos, somos únicos. Pare em um aeroporto e brinque de descobrir paulistas, é muito fácil! Somos irônicos e tradicionalistas, e gostamos de roupas benfeitas e atemporais. E, o melhor, não saímos de moda nunca!”
Walter Rodrigues, estilista
Foto: Agência Fotosite

 

 

 

 

 

“São Paulo, para mim, é uma capital da moda como Paris, Nova York, Londres... Todas as marcas internacionais abriram loja primeiro aqui. A grande concentração financeira do Brasil está em São Paulo, o que prova a diferença que a cidade faz.”
Paola Robba, estilista

 

 

  

 

 

 

“São Paulo é o maior centro consumidor de moda no país e referência para as outras regiões do Brasil; esse é um fato aparente. O que não é tão óbvio e vale observar é a força e a diversidade da indústria têxtil e de confecção desse estado.”
André e Mariana Tassinari, donos da grife paulistana Garoa
Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

 

“A partir dos anos 1980, depois do Phytoervas Fashion, São Paulo foi se especializando no lançamento de novos estilistas, e isso é importante para a construção da moda nacional.”
André Hidalgo, criador e diretor da semana de moda Casa de Criadores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto Bom Retiro: Kelly Cristina Lopes/CDL Bom Retiro  

Foto:Divulgação