Caderno Senai

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Publicado em 23/01/2012
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CADERNO SENAI

 

 

Por Regiana Gonçalves Lima

 

 

PAETÊS – VAMOS BRILHAR!

 

 

 

Os paetês estão por toda parte e chegam com força total para valorizar ainda mais a moda e deixar as mulheres com um ar mais elegante. A aposta para o próximo verão é brilhar e por isso as roupas com paetês continuam sendo uma forte tendência. Marcou presença em estações passadas, está sendo usado neste verão e continua no próximo inverno.
Uma lantejoula ou lentejoula (do latim lenticula, mesma raiz de “lentilha”) é um ornamento em formato de um pequeno disco para decorar roupas e acessórios de moda. É fabricada em uma grande variedade de cores e formas geométricas. Normalmente, as lantejoulas têm um furo no meio para possibilitar a costura nos tecidos. Um tecido bordado com lantejoulas recebe o nome de “paetê” (do francês pailleté, fonte Wikipédia).
A base pode ser em tecido de malha ou em tecido plano. O mais comum é que seja encontrado em base de malha (tule).


 

A diversidade também é muito grande, partindo de texturas, cores e formatos diferentes. As roupas com paetês aparecem em diversas cores e modelos, de modo que oferece às mulheres muitas opções para se vestir. Os paetês podem ser encontrados em vestidos, saias, blusas, regatas, calças, casacos e até sapatos.
Embora o sucesso dos paetês seja grande, as confecções devem tomar alguns cuidados para escolher o produto e adequá-lo ao tipo de tecido. Alguns problemas podem surgir durante o processo produtivo. A seguir algumas dicas de como trabalhar com paetês:

 

 

1) Descanso
Como a maioria dos paetês possui a base em malha, o processo de descanso é muito similar ao convencional, sendo necessário um tempo de descanso mínimo de 24 horas, mas deve-se atentar para a maneira como esse tecido vai descansar, evitando que as lantejoulas se enrosquem entre si ou sejam dobradas. O ideal é que o tecido permaneça estendido em uma superfície plana durante o período de descanso.

 

 

2) Corte
O material utilizado para a fabricação dos paetês é sintético (PET, polietileno, polipropileno etc.), podendo ocorrer fusionamento do material durante o corte. Isso ocorre porque a velocidade da máquina faz com que a faca desça e suba muito rapidamente, esquentando o material. Uma vez fusionado, as partes do produto cortado podem ficar comprometidas. O tecido também pode enroscar na entrada da faca, fazendo com que a peça seja arrastada em vez de cortada. Para evitar problemas durante o corte, recomenda-se:
 usar papel na parte superior e inferior do enfesto para amenizar o problema;
 afiar constantemente a faca, pois, por causa das lantejoulas, ela perde corte rapidamente;
 utilizar o mínimo possível de folhas por enfesto;
 evitar etiquetas adesivas, pois a cola marca o paetê.

 

 

 

 

Estilhaços do paetê são lançados durante o corte e a costura 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                    Óculos de proteção (EPI) que deve ser utilizado durante o manuseio do artigo

 

 

 


 

 

 

 

 

3) Costura
A maioria dos paetês deixa estilhaços durante o corte (as lantejoulas ficam partidas). Esses estilhaços machucam quando em contato com a pele e também podem incomodar. Testes realizados nesses materiais não foram satisfatórios em máquinas utilizadas em acabamentos como o overloque, isso porque esses estilhaços são cortados pela faca da máquina mas apresentam irregularidades, deixando muitas vezes pedaços pontiagudos e sem proteção.
Outro problema comum nessas máquinas é a quebra constante de agulhas. A faca corta o paetê e esse estilhaço é jogado contra outras partes da máquina e até mesmo contra o operador. Seguem algumas orientações para o processo de costura:
 trabalhar com velocidade reduzida das máquinas;
 evitar desmanchar as costuras, pois os paetês ficam marcados;
 sempre utilizar recobridores de costura, viés ou peças forradas. Os paetês danificados ou com pontas podem causar danos à pele;
 fazer uso de EPIs (equipamentos de proteção individual) durante o manuseio e a fabricação do artigo, pois os estilhaços do paetê podem provocar acidentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Não há cobertura com o overloque, o que deixa sobras pontiagudas do material

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Opção de acabamento das bordas (viés de cetim) para proteger o contato com a pele

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Furos nas lantejoulas: costura desmanchada

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4) Acabamento
O uso de aviamentos como zíperes, botões, fechos ou outros aviamentos similares deve ser analisado. A utilização de caseados em paetês e a aplicação de zíperes podem ser complicadas, dependendo do tipo de cobertura do tecido (espessura e tamanho do paetê). Outras possibilidades de acabamento devem ser estudadas.
Em relação à embalagem das peças, alguns paetês marcam ou quebram com facilidade, por isso o ideal é utilizar cabide. Caso não seja possível armazenar em cabides, dar preferência para embalagens com respirador.

 

 

A dobra do tecido deformou o paetê

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5) Cuidados de conservação
Para a indicação da etiquetagem têxtil, conforme a ABNT NBR NM ISO 3758, é necessária a realização de testes preliminares. Recomenda-se que os testes sejam realizados na peça pronta, porque o uso de forros ou acabamentos pode influenciar o processo de lavagem. Por exemplo: encolhimento, migração de cor etc.
Para a indicação da composição têxtil, recomenda-se solicitar a informação ao fabricante do tecido. Segundo a normalização, não é necessária a indicação do material da cobertura (lantejoulas), mas somente o material têxtil (base). Caso seja utilizado forro, a composição dele também deve constar na etiqueta.
Outro fator que deve ter atenção especial é que durante o processo produtivo todos os colaboradores devem utilizar EPI, conforme previsto na NR 6, para garantir a segurança e a integridade de todos.

 

 

Fotos: Divulgação/Senai

 

Regiana Gonçalves Lima é formada em tecnologia do vestuário pelo Senai, possui lato sensu em especialização em qualidade e produtividade pela Fundação Vanzolini, atua na área de vestuário há 20 anos e coordena o Laboratório de Tecnologia do Vestuário do Senai Vestuário Eng. Adriano José Marchini desde 2007.